A ressurreição do nomadismo

Estamos vivendo uma era de racionalismo nômade profissional que tem deixado as organizações inseguras quanto a solidez de seus negócios e qualidade de seus produtos e serviços, ou seja, uma era de superioridade incondicional do sedentarismo. O sedentarismo profissional, tido como uma forma responsável do gerenciamento pessoal profissional e ascensão na carreira, outrora visto como a chave do sucesso – único caminho a ser seguido para alcançar a progressão profissional (e assim ter sido por muitas décadas), dá lugar rapidamente à volta do nomadismo, indiscutivelmente criticado por líderes profissionais bem sucedidos das organizações em geral, quaisquer que fossem os seus segmentos.

Ao longo de muitos anos o nomadismo nas carreiras fora visto como modelo de exclusão social (e porque não dizer exclusão moral – no sentido figurativo da responsabilidade sobre o futuro da sua carreira) sendo que as passagens duradouras e porque não até eternas nas empresas firmavam o prestígio da conduta dentro das culturas monoteístas e egoístas que levavam ao topo aqueles que mais se encaixassem dentro das “caixinhas quadradas” criadas pelos empresários em suas fantásticas fábricas de ilusão – as SUAS empresas – e que suportassem ficar nessa condição por mais tempo.

Notamos que o que foi perdido nesta mudança de comportamento foi o espaço – que não figura mais com importância na maioria das organizações – em detrimento à velocidade, destacando que implicitamente criou-se um cenário, onde empresários e suas empresas não sentem remorsos de abandonar paradigmas até então utilizados – inclusive pela sobrevivência do negócio, porque não assim dizer. É a guerra do físico x virtual. E nossas carreiras são virtuais, acreditem.

Os profissionais que já se convenceram que é inevitável se desprender do durável (ou de conceito pré-estável, como preferirem) e se adaptaram ao transitório – que estão em alta no mercado – são os mais procurados e o foco da disputa dentro e fora das organizações.

O nomadismo nos dá a percepção de que podemos (sugiro que você interprete este “podemos” também como devemos) utilizar um solo enquanto este nos dá o que buscamos, mas que devemos imediatamente buscar outro quando percebemos que não estão mais fartas nossas necessidades (e obviamente nunca deixar para fazê-lo quando a escassez estiver comprometendo a sobrevivência). Traduzindo para o mundo corporativo temos então que somos como lâmpadas, nosso conhecimento (todos: cultural, aprofundado sobre determinados assuntos, científico e até empírico) são como os fios e nosso poder de adaptação é como uma tomada = em busca de uma fonte de energia que é a empresa. Completado o ciclo, teremos uma fonte geradora utilizando nosso conhecimento para o bem da organização e nos fornecendo energia para nos mantermos acesos. E essas fontes podem e devem ser trocadas em determinados períodos sob o risco de queimar a lâmpada – sua morte profissional.

Claro que o que foi até aqui dissertado terá pouca ou nenhuma validade se o profissional não travar uma luta eterna contra o sedentarismo interno e buscar constantemente atualização, conhecimento (seja ele cultural, científico ou de relacionamento), crescimento interior e versatilidade. Mãos a obra! É a lei da sobrevivência profissional – estamos vivendo uma nova versão da Revolução Industrial – adapte-se ou veja a sua história ser transformada em narrativa de teor simbólico, representação fantasiosa do seu próprio ego ou seja mais um na estatística de passado promissor, futuro controverso...

Ulisses Andrade