Administrar a sua empresa, a arte do arroz com feijão

Tenho observado profissionais da área administrativa (com foco principalmente em financeiro) mais detalhadamente nos últimos dez anos, sendo que parte dessa experiência estou utilizando agora em meu terceiro livro (o primeiro de administração, mas que prefiro classificar como autoajuda) de título homônimo a esta publicação e cheguei a algumas conclusões preocupantes:

1.     Os profissionais estão escassos

2.     Os novos profissionais não estão sendo bem treinados

3.     Os novos profissionais não tem interesse em aprofundar-se na área

4.     Existe uma lacuna entre os auxiliares base e os supervisores

5.     Os novos profissionais estão atuando paralelamente em outras áreas (e isto nem é tão ruim)

Antes que vocês batam o prego na minha mão porque imagino que na cruz já me colocaram, explico:

 

1.     Os profissionais estão escassos

Quando escrevo “profissionais” sublinhado quero dizer PROFISSIONAIS, entende? Para exemplificar podemos utilizar a seguinte fórmula: (profissional # profiCional). Aqueles que pegam um problema e vão até o fim para resolvê-lo, aqueles que são minuciosos e porque não até metódicos – o financeiro é uma “ciência exata e repetitiva que se aperfeiçoa a cada passo na direção correta”, aqueles que criam rotinas (não burocracias) exemplares de condução, aqueles que sabem interagir com os demais departamentos da empresa sempre em prol da parceria, enfim, poderia escrever algumas dezenas de linhas aqui e quem é profissional se sentiria muito familiarizado... Não quero cair no clichê de dizer “como antigamente”, apesar dos meus 30 anos de administração financeira, esta frase não me cabe devido a minha busca eterna e constante por aperfeiçoamento. E o aperfeiçoamento nada mais é que a junção do conhecimento com a repetição multiplicados pela visão do detalhe.

 

2.     Os novos profissionais não estão sendo bem treinados

Ora meus caros, sem professor não existe aluno! Na medida em que os profissionais ficam escassos os alunos praticamente desaparecem. Junte-se a isso um cenário negativista da economia, onde “empresários” subestimam a atuação do profissional e na melhor das hipóteses passam a controlar o próprio financeiro, que na maioria das vezes resulta em uma conta simples: devedora. Devedora não somente no número em si do banco, mas devedora em qualidade de controles, veracidade de resultados e fluxos financeiros mal organizados, quando existem... Mas claro, ainda há algo pior que isso, porque nem sempre “casa de ferreiro tem espeto de pau”. As vezes casa de ferreiro tem espeto de papelão mesmo, quando o “empresário” põe na sua linda cabecinha que “profiCional” é igual a profissional e que salário (ou consultoria) é despesa. Portanto não faremos sucessores sem líderes. É a regra.

 

3.     Os novos profissionais não tem interesse em aprofundar-se na área

Um dado um tanto quanto alarmante nos mostra que à medida em que os “empresários” utilizam-se de suas fórmulas mágicas de contratação e condução de seus negócios, aumentam os números de profiCionais no mercado. Daí a problemática na hora de contratar. O camarada tem um currículo que às vezes dá até um frio na espinha de entrevistar, tal pela VASTA experiência adquirida ao logo de sua estada de 6 meses em cada uma das últimas 39 empresas que passou ou porque clonou o currículo do Stevie Jobs. Na maioria dos casos um bom profissional de RH resolve pois com um pouquinho de fé e água benta espanta-se muitos demônios. Mas e se o profiCional de RH gostar do CV do Stevie Jobs? Pobre empresa. Que faça um bom caixa para as multas rescisórias e custos de processos... E nem estou falando de processos trabalhistas! Portanto, desta vez (e somente desta vez) o profiCional não tem culpa de não aprofundar-se na área. Mas nada o impede, basta trocar o C por SS, o que não é nada surreal. 

 

4.     Existe uma lacuna entre os auxiliares base e os supervisores

Em uma linha verticalizada de administração (vertente essa que abomino, afinal o sol nasce no horizonte e é o rei) temos: auxiliar / assistente / analista / supervisor / coordenador e assim por diante. Quando não se formam bons assistentes e analistas se quebra uma cadeia quase que alimentar. Notem que a criação do profissional se dá quando “criança” ou melhor, lá no início; e se não torceu o pepino de pequeno, esqueça. Dificilmente o fará depois. Mas volto a culpar o topo da pirâmide! Afinal todos nós conhecemos aqueles “Xefes”, não é mesmo?

“Eu passar todo meu conhecimento para um subordinado? Jamais! Daí o “empresário” que me contratou me demite pois eu viro despesa! O profiCional abaixo de mim pode muito bem fazer o meu trabalho com a mesma qualidade que eu!”

Me dá água benta, por favor. Vou exorcizar este capeta. Eu preciso disso para continuar minha evolução!

 

5.     Os novos profissionais estão atuando paralelamente em outras áreas (e isto nem é tão ruim)

Desde que seja em prol do perfeccionismo estamos em paz. Por isso pode nem ser tão ruim assim. O problema é que na maioria das vezes se contrata um profissional para atuar na sua empresa, mas tão logo saia seu primeiro salário e záz! Num passe de mágica ele tem que se transformar em Jesus Cristo. Como pode um profissional tão experiente, culto, dedicado, inteligente, minucioso, atualizado, não poder executar todas as funções da empresa? E não será difícil, neste nosso nocauteado país, ver este profissional perder o entusiasmo que até aqui o acompanhou e se deixar levar pela doce vida vã do profiCional...

 

Prezados, lutem e estudem! Sejam profissionais! Aqui na terra só isso pode te salvar!

 

Ulisses Andrade