Cada um no seu quadrado?

21 Porventura não sabeis? Porventura não ouvis, ou desde o princípio não se vos notificou, ou não atentastes para os fundamentos da terra?
22 Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar; (Isaías 40:21,22)

 

Apesar sabermos que a terra é redonda conforme constatado em primeira mão por Isaías (740 AC) no antigo testamento e posteriormente por Aristóteles (350 AC), Eratóstenes (285 AC), Plínio (50 DC), Pombônio (100 DC), Colombo (1492 DC), tantos outros cientistas, pensadores, estudiosos e talvez até pessoas do cotidiano comum, em uma noite estrelada com seu violão, eu faço um alerta:

 

A terra é redonda, mas o mundo é quadrado!

 

Notem que a sociedade é feita de regras de convivência, tudo é taxado como certo ou errado - e nem estou questionando isto, pois dentro de uma cultura social isto é extremamente comum, porém, deve-se o devido destaque a destruição do individualismo...

O mundo quadrado se denota nas caixinhas em que somos impostos a nos enquadrar, ou você é certo ou você é errado. Não existe espaço para o meio termo, para os que não se enquadram em nenhum dos extremos e as variáveis são, além de abstratas, extremistas. Ou é ou não é.

E cada grupo social impõe aos seus integrantes, como que uma lei, as ditas normas do certo e errado – e quem não se enquadra passa a ser visto como inimigo – e não obstante, o pensamento de muitos do grupo é que todo o inimigo tem que ser combatido, todo inimigo tem que ser liquidado.

As religiões classificam suas duas caixinhas em santos ou pecadores – portanto se você se enquadra na “certa”, ótimo – terá boa aceitação no grupo. Se for na “errada”, corra, ou podem querer atirar-lhe pedras em praça pública – em nome de Deus. Se você não se enquadra em nenhuma das duas, pior, nem vai ser aceito tampouco perseguido. Vai morrer de depressão em um mundo onde necessitamos ser aceitos para provar nosso sucesso e felicidade.

Assim é também nas empresas: Ou você é aquele líder, aquele que tem as melhores qualificações, o “mais amigo do chefe” ou é um funcionário pra encher linguiça, como se diz no mundo corporativo – funcionário para completar mesa, preencher sala, dar quórum em reunião...

Não frequentar as festinhas e encontros da empresa pode ser fatal, em nome da política corporativa. Não importa a muitos se você desempenha o seu trabalho com maestria e responsabilidade, se tem senso de urgência ou se busca constantemente o aprimoramento de seu trabalho, afinal, você joga “ping pong” ou “bilhar” no grêmio da empresa?

Respeitar o individualismo, antes de mais nada, é fazer prevalecer a inteligência sobre todos os outros aspectos e disso depende o futuro dos bons ambientes das nossas empresas, visto que passamos a maior parte de nossas vidas lá... Os líderes de verdade me entenderão.

O certo e o errado podem não ser exatamente como ensinaram a você...  

 

Ulisses Andrade