Coisas de infância

Vou relembrar umas coisas que muita gente viveu na infância e adolescência e que fazem parte da memória...

As cartinhas de amor e outras que fazíamos no tempo de escola, as primeiras namoradas e namorados, os medos (e principalmente respeito) que tínhamos pelas professoras do primário, o sinal da hora do lanche, que chamávamos carinhosamente de recreio, o hino nacional (era difícil entender o que significava “o lábaro que ostentas estrelado” – mas sabíamos na ponta da língua que a letra era de Joaquim Osório e a música de Francisco Manuel), os desenhos infantis que assistíamos, os circos, os jogos e brincadeiras na rua e em casa, os cafés da tarde, bolos que nossas mães faziam... Só de imaginar me remeto à infância, posso até sentir o aroma dos bolos.

As piadas “sujas” que murmurávamos escondidos de nossos pais – sem saber que eles sabiam de tudo.

As visitas à igreja, independente de qual religião você pertença. As viagens que pareciam intermináveis; como demorava a chegar aos destinos!

Quando tínhamos um pequeno problema (notas baixas, por exemplo) parecia que o mundo ia acabar! Mal sabíamos o mundo perverso e competitivo que nos aguardava. Ainda bem! Vivíamos a infância em toda a sua plenitude.

Os brinquedos, os Natais, festas em geral. Lembro-me do meu primeiro relógio. A felicidade de quando aprendi a ver as horas...

Nem todos tiveram uma família como eu tive, simples e comum, mas nada nos faltou. E muitos se encaixam em algumas dessas lembranças, independentemente das condições econômicas. Lembro-me também das crianças mais carentes. Era triste. Aquelas que o Papai Noel não visitava. Aquelas que o coelho da Páscoa não ousava chegar perto, pois viraria a refeição daquele domingo comum, como qualquer outro. Isto me deixava triste.

Logo depois, na adolescência, vieram os primeiros bailinhos. Hoje os jovens já não dançam mais de rostinho colado, eu imagino. Acho que nem dançam! A geração de hoje é muito dinâmica e antenada. A internet, tecnologia, globalização, televisão, cinema e muitas outras coisas trouxeram uma mudança de comportamento. Mas a minha proposta não é comparar a adolescência e juventude antiga com a de hoje, até porque vivemos em mundos diferentes, realidades diferentes. Uma pena que o que herdamos daquela época foi apenas os Papais Noéis e os Coelhos da Páscoa que não vêm...

 

 

Ulisses Andrade