Irmã Dorothy

Há 10 anos perdíamos a irmã Dorothy. Perdíamos muito mais. Ao longo de seus 73 anos (40 no Brasil) lutou por geração de renda aos mais necessitados, contra o desmatamento, pelo reflorestamento de áreas devastadas e pela minimização dos conflitos fundiários. Mas os latifundiários venceram-na. Eles venceram também as ações pastorais, venceram o desenvolvimento sustentável, venceram a reforma agrária. Venceram o Brasil. Sim, o mal venceu o bem.

Órfãos ficaram os camponeses do Xingú, os alunos da primeira escola da Transamazônica, que governo nenhum teve a ousadia de construir. Órfãos ficaram os agricultores que no meio da mata que os concebeu são impedidos de mantê-la. De subsistir. De existir.

A devastação só faz continuar, o poder dos latifundiários-assassinos só cresce; proporcionalmente ao desmatamento. Estamos desamparados por um governo que usa o País em benefício próprio, desviando bilhões para contas no exterior, travestido de protetor dos trabalhadores, distribuindo algumas moedas aos menos favorecidos em troca de perpetuação no poder.

Há de nascer uma árvore de paz onde está enterrada a irmã Dorothy. Sua sombra há de confortar aqueles que lutam contra a desigualdade e o poder do dinheiro. Sua seiva há de alimentar o espírito de tantos outros que se foram por lutar pelas mesmas causas. E um Deus, independente de quem seja Ele, há de punir todos os que do poder se apoderam para enriquecer e piorar a condição humana, tornando-os cada vez mais escravos.

Irmã Dorothy, que leva a Dor desde seu nome, rogai por nós.

 

“Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.”   Dorothy Stang (J 07/06/1931  L 12/02/2005)