O circo

Respeitável público!

O circo, base do lazer de muitas gerações teve (infelizmente conjugado no passado) fundamental papel no auxilio à formação de caráter e da felicidade das pessoas.

Sendo uma das poucas opções de lazer da época e que atingia todas as classes independentemente de sua posição social e renda, mas principalmente as pessoas com menores condições financeiras e muitas até com maior quantidade de filhos, que viam no circo talvez a única opção de diversão.

Quando toda a trupe com seus gigantes (e surrados) caminhões, ônibus e carros chegava, causava um alvoroço no local. E total ansiedade de quando seria a primeira apresentação... Muitas crianças ficavam com seus rostos enfiados por entre as grades que circundava o local, com olhar alegre e ao mesmo tempo distante, tentando ver algumas partes dos ensaios. Ensaios estes que eram propositalmente deixados à mostra como uma ação (avançada para época) de marketing. E funcionava... Os circos viviam cheios, além do comércio informal que rodeava a grande tenda.

Ver os palhaços com sua graça simples, pura e direta, muitas vezes repetitivas, onde o profissional era o diferencial e o improviso tinha o papel principal, trazia imensa gratidão e muitos risos. Risos inocentes, risos curiosos, risos de momentos em que o público esquecia os problemas cotidianos da vida e focava sempre no ato seguinte que era quase sempre previsível. Tudo na maior inocência como uma criança.

Eram tempos áureos onde os animais eram bens tratados e não trabalhavam até a exaustão. Faziam parte da família circense. Tempos em que após os anos de trabalhos eles não eram simplesmente abandonados... Alguns eram doados à zoológicos locais, mas grande parte deles vivia até seu último dia com a família. Tempos em que famílias de artistas circenses recebiam as famílias brasileiras com a missão, além de entreter, manter viva a chama da alegria com simplicidade.

Os artistas de circo nunca se aposentam, eles trocam de papel. Também nunca morrem, eles vão levar alegria para o céu...

 

É por isso que eu canto: “Não deixe o circo morrer, não deixe o circo acabar”.

 

Ulisses Andrade