Súplica e morte de um idealista

Que faz um revolucionário fora do seu tempo?

Já que os objetivos de massa se confundem com os objetivos particulares?

Já que não temos por quem lutar porque os ideais não são mais ideais?

 

Que faz um revolucionário fora do seu tempo?

Que dá a sua vida para que lutar pela melhoria da vida do povo, se o povo quer apenas o que é banal?

Que ao lutar por uma vida globalizada, sonha com a melhor distribuição de renda e descobre que há uma maior distribuição de misérias?

 

Que faz um revolucionário fora do seu tempo?

Que pensa em chegar ao poder e poder fazer o que há de melhor para o seu povo?

E descobre que o revolucionário de ontem é o poderoso de hoje, usufruindo também da miséria e falta de cultura de seu povo?

 

Que faz um revolucionário fora do seu tempo?

Quando descobre que o capitalismo é uma doença que ataca e contamina todo e qualquer ser que entra no poder?

Quando descobre que os poucos que não são enraizados pela doença se transformam em minoria? E se juntam as massas?

 

Que faz um revolucionário fora do seu tempo?

Ao perceber a inversão de valores que as grandes mídias, disfarçadas de “aliadas do povo” enxertam em suas cabeças?

E que os grandes pensadores, só o fazem para benefício de si e dos seus?

 

Que faz um revolucionário fora do seu tempo?

Ao descobrir que a relação entre a burguesia e o revolucionário é comprada por míseras moedas?

Quando percebe que o bem próprio está acima do bem comum, até na cabeça de quem prega a liberdade?

 

Que faz um revolucionário fora do seu tempo?

Senão lamentar e saber que nada pode ser feito, senão pela educação e cultura que nos é privada?

Morrer, com sua bandeira hasteada pela metade, lembrando um pedido de rendição?

 

É o fim da luta, pois o objetivo se transformou em objeto e a moralidade se transformou em banalidade.

É como se as pirâmides estivem de cabeça pra baixo e o povo acreditasse que está por cima.